Quem sou eu

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Passional, obsessiva, existencialista, crítica, melancólica, impulsiva, sôfrega, contraditória, intensa - oscilo entre a extrema euforia e um desencanto que não me comporta! Viver só vale a pena se for intensamente; no céu ou fora dele, não importa! Reflito muito, gosto de ouvir, falo tanto quanto, amo quem me faz rir, quem me transmite confiança, os leais, idealistas e os transparentes, quem despreza a hipocrisia, minha coragem é meu maior dom! Mas ainda vago, perdida, porque perdidas estão minhas paixões: a revolução; a música; o amor; a beleza. Outro blog: http://sheilacampos.zip.net

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Feridas minhas de cada dia.

Preocupo-me, preocupo-me terrivelmente. Tenho o hábito de me consumir por antecipação! Sofro só de pensar na quantidade de coisas que "tenho que" ou que desejo fazer - duas esferas que raramente coincidem...

Acordo tarde nos últimos dias, e não por falta do que fazer: queria ter ido à academia, ao salão de beleza, queria ter escrito mais, contactado o orientador, ter estudado francês, inglês, cuidado melhor das tarefas de casa...!...

Mas, algo desanimada - des-ânima, "sem alma" - tenho acordado tarde e tomado banho ainda atordoada.

Uma amiga me liga: "você já enviou a primeira versão para o orientador"?

Sinto-me péssima! Lembro que anoto milhares de coisas em muitas agendas (hoje em dia são três) e, ainda assim, me atraso em tudo! Quando serei a pessoa eficiente, concentrada, focada e produtiva que tanto desejo ser??!!!

Eu quero ser uma máquina!!!!

Tento então o salão de beleza. Algo tão banal que não mereceria registro, não fosse minha imensa dificuldade em assimilá-lo em minha rotina. Desde sempre, um desastre: acabava de fazer as unhas, estragava alguma! Minha mãe arrumava meu cabelo, eu corria e suava!... Em lugar de vestido em ordem e sorriso suave, estava sempre com a roupa rasgada, short já sujo e camiseta, sangrando, caída de alguma árvore!... Mãos e braços grandes demais, que eu não sabia governar, e pernas que se batiam em toda e qualquer quina, parede, saliência que encontrasse! Sempre fui uma "superfície de hematomas"... Acho que eu nasci moleque no corpo errado.

(Uma falta de elegância, de feminilidade, de "discrição" e de suavidade que me marcou muito. E marca, incomoda, até hoje.)

Minha mãe criou-nos como achou que deveria. Mas a impressão que me restou, depois de adulta e já fora de casa, era a de que ela tentara moldar barbies... E, num processo um pouco inconsciente, caí no extremo oposto.

"Enfeitara-nos" para tentar nos fazer casar. Bem, casamento era o objetivo de minha mãe em relação ao futuro das três filhas - mas não era exatamente o meu!...

Eu queria paixão, queria intensidade, queria arte e queria experimentar tudo no mundo!

...Não me preocupava em ser uma mulher arrumada, mesmo porque já me sabia bonita. Havia um tanto de arrogância nessa crença, eu acho, mas havia, sobretudo, uma saudável despreocupação!...

(...Que se tornou algo destrutivo, uma espécie de decadência!)

Não consigo evitar de me sentir desolada, apesar de saber que isso não me serve de nada...

Como me manter "uma mulher de Nova" e ainda estudar para o concurso/escrever a dissertação/aprender melhor inglês/aprimorar o francês/correr no parque/malhar na academia/investir na carreira de atriz/dar aulas/escrever peças/capítulos de livros/telefonar para a família e amigos sem falta, assistir espetáculos, ouvir o último e quentíssimo CD da temporada, entender de economia, acompanhar os telejornais, manter-me atualizada...?????!!!!!....

Sinto-me massacrada!
Nem comecei, acho que nem tentei, ainda, e sinto-me massacrada por tudo!

Sinto falta de qualquer coisa que me desse a impressão de não estar sozinha, de não estar falhando tão largamente, de não estar caminhando na contramão...

Há momentos em que tudo o que devemos fazer é nos recolher. Voltarmos atenção e energias para nossas próprias entranhas, para nossos medos, dificuldades, para limites que julgávamos superados...

Há momentos na vida em que não temos nada a oferecer. Nada!, nada que possa ser contabilizado, nada que faça diferença - um pouco de alegria, de companheirismo, ou de sedução, de arrepios e descobertas; há momentos na vida em que estamos, inevitavelmente, empobrecidos de nós mesmos. Nestes momentos da vida, mais deveríamos ter vergonha, pudor, mais deveríamos nos tornar invisíveis.

Mas a vida, insensível à nossa sensibilidade romântica, desagradavelmente nos intima. Quando o mundo vai parar para eu me recompôr?! Tento em vão criar artificialmente "parênteses", pausas, nadas, silêncios.

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